Mas no mercado de Hqs, a concorrência ou queda da venda das revistas por desinteresse do leitor sempre foram as ameaças que as editoras tiveram que lidar. No caso da DC, a concorrência com a Marvel era muito acirrada, pois os heróis da editora do Homem-Aranha, Hulk e companhia estavam ganhando sempre nas vendas. Um dos motivos era que, como os heróis mais famosos da DC tinham sido criados entre 1930 e 1950, ficava difícil novos leitores de acompanhar suas histórias, diferente da Marvel, que era uma editora mais nova. A solução era atualizar os personagens, sem esquecer suas origens.Como? A DC simplesmente atualizava colocando o novo universo com a sendo uma realidade alternativa. Assim surgiu as infinitas terras paralelas.
Cada uma tinha uma versão de seus heróis. Super-homem da Terra-2, Super-homem da Terra ativa, e por aí vai. Assim, a DC Comics atraia novos leitores, mas sem esquecer dos antigos. Mas com os anos acabou virando um problema. Com a bagunça que era o Universo DC com muitas Terras paralelas, a editora novamente perdia em vendas e precisava fazer algo para mudar esta situação. Não lembro se esta foi a primeira saga das Hqs, mas com certeza foi a mais importante. Nos anos 80 era publicada Crises nas Infinitas Terras, a saga que reformulou todo o Universo DC em um único universo. Uma saga tão importante que até hoje é lembrada ( naquele tempo não chamavam ainda de reboot). Todos os heróis foram reapresentados, origens modificadas, ou seja, começaram do zero. Realmente foi muito bom, os principais personagens foram muito bem trabalhados, como o Super-Homem por Jonh Byrne, Batman pelo Frank Miller e David Mazzucchelli e a Mulher-Maravilha por George Pérez. Ótimos trabalhos. E como não poderia deixar de ser, a Marvel também queria aumentar suas vendas e não poderia deixar a Distinta Concorrente tomar a dianteira, criou a saga Guerras Secretas, onde os principais heróis e vilões eram transportados para outro planeta por um ser com poderes infinitos, o Beyonder, para lutarem entre si. Não sei se foi aí, mas acredito que a partir daí as sagas tiveram início, embora que até os anos 2000 elas não eram tão comuns.
As editoras deveriam usar este recurso bem menos, pois estes eventos, como já disse Mark Millar, não é mais evento, pois esta saindo todo mês. Se não é isto, são decisões equivocadas, como o pacto do Aranha com Mefisto ( que será analisado outra hora), que apagou o casamento de Peter com Mary Jane. Ou matar um herói e depois ressussitá-lo. Acho que todos já morreram e ressucitaram. Embora ruim, esta história de matar um herói e traze-lo de volta, começou com o Super-Homem. Mas em uma saga que se mostrou acertada no ponto de vista mercadologico, pois ressucitou o interesse dos leitores no Homem de Aço, mas uma péssima história, com uma explicação fraca para o herói voltar a vida.A Marvel e DC são empresas e como tais precisam dar lucro para continuar existindo, mas também tem obrigação de entregar materiais de qualidade, pois as sagas ou eventos, não podem ser usadas como muletas, visto que o formato acaba por se desgastar e somente faz que se prolongue o que está ruim. Deve se preocupar com a história, trabalhar os personagens como eram feitos antes, com histórias empolgantes, desenhos sempre em evolução.Embora as sagas ou reboot sejam uma decisão lucrativa no momento, isto não irá durar para sempre. São as histórias que prendem os leitores. Sinceramente, os personagens e os leitores merecem mais respeito por parte das editoras.

